Longe Do Fato – Daniel Frickmann, 2021

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A série “Longe do Fato” começou com alguns desenhos que fiz na rua, entre 2014 e 2015. Certa vez encontrei um depósito no Rio com três carros empilhados, um em cima do outro, e aquela imagem ficou gravada na minha cabeça. Era um ferro velho que prensava os carros e empilhava a sucata fazendo “torres” de aço retorcido. Desenhei esse local e depois percebi que essas cenas eram um assunto recorrente, e que me despertavam bastante a atenção. Quando comecei a pintar a série, em 2018, abri meu caderno e algumas fotos de pesquisa que já guardava desde a faculdade, e me dei conta de que o assunto do acidente era portanto bem comum. A primeira obra, “Curitiba”, foi feita a partir de uma foto que encontrei em um portal da internet, sobre um acidente com um carro que caiu de uma ribanceira. E dele eu criei uma lógica que consiste em 10 obras, feitas a partir de 10 fotografias de acidentes, sendo cada uma em uma cidade diferente do Brasil. Todas elas foram tiradas de portais e jornais da internet.

Mas esse assunto foi se diluindo no meu processo ao poucos. Minha ideia era concluir a série e sentir para onde eu deveria ir. Percebi que a imagem me interessava mais do que a explicação por trás dela. O metal retorcido, desfigurado pelo impacto do acidente gera uma abstração da forma do carro que me interessa muito. Os detalhes que surgem do objeto quebrado, geram uma confusão do que está acontecendo ali, acabou se tornando algo potente para a produção da pintura. E por isso que, na minha série seguinte, decidi focar em outras 10 obras, mas desta vez feitas a partir das minhas próprias fotos, com diferentes locais e situações que passam a ideia de fragmentação.

A série propõe uma pesquisa sobre as condições da imagem. Em um país repleto de tragédias noticiadas, as obras produzem uma interpretação pessoal de fotografias com acidentes automotivos, ocorridos nos anos de 2018 a 2020, e publicados em diferentes plataformas de jornais brasileiros. Cada quadro pintado corresponde ao que um dia foi um acidente qualquer, criado em uma cidade distinta do país. A obra leva no nome a cidade onde o acidente aconteceu. A existência de cada peça reside no interesse de descobrir um pouco mais sobre a própria imagem, que está distante tanto no sentido temporal, quanto físico ou emocional. Algo que, inicialmente, seria apenas uma informação qualquer.

Direção Artística
Deborah Zapata
Renato Canivello

Curadoria
Daniela Avellar

Produção
Deborah Zapata
Renato Canivello
Daniela Avellar
Uri Nonnato

Coordenação de Montagem
Uri Nonnato

Design Gráfico e Fotografias
Daniel Frickmann