MATÉRIA MIRAGEM – Tuca Mello, 2026 / BALIZA

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Inauguração do Espaço BALIZA,
Instalação Site-specific

Entre o peso da matéria e a miragem da forma

Matéria Miragem é a primeira exposição individual de Tuca Mello e inaugura o espaço de arte contemporânea BALIZA.
A instalação propõe o equilíbrio não como um estado de estabilidade definitiva, mas como uma condição provisória,
continuamente atravesssada por forças em tensão. O processo escultural do artista habita um campo metaestável,
no qual pequenas perturbações naturais-artificiais são suficientes para deslocar o que parecia firme.  Forma e
contra-forma não se resolvem nem se encaixam; permanecem em negociação constante, sustentando um
sistema que só existe enquanto a diferença se mantém ativa. O que se preserva não é a neutralização das forças,
mas a sua coexistência tensa. A matéria não se encerra em uma forma fixa: ela se apresenta como miragem,
algo que aparenta solidez, mas permanece em transformação, sempre à beira do deslocamento, expandindo
o olhar e distorcendo a percepção.

Nesse campo instável, o trabalho de Tuca Mello tensiona as fronteiras entre o natural e o artificial. Basalto, terra,
ferro, estanho, argila e espinhos de tucum carregam temporalidades, densidades e origens distintas, que se
encontram mas sem se fundirem. A pedra, marcada por processos geológicos profundos, convive com o metal
extraído, fundido e reintroduzido como gesto humano; o orgânico e o mineral coexistem em estado de fricção.
O trabalho não se trata de oposição, mas de convivência. Materiais naturais são atravessados por intervenções
artificiais, e ações humanas revelam forças que já estavam latentes na matéria. Nesse diálogo, o equilíbrio surge
como negociação contínua entre controle e entrega, cálculo e escuta.

Matéria Miragem convoca ainda uma reflexão sobre o visível e o invisível. A miragem não é apenas um efeito óptico,
mas um espaço perceptivo onde a matéria parece se desfazer, dissolver-se, escapar. Os vazios entre as esculturas,
os intervalos, os respiros, os espaços aparentemente neutros, tornam-se zonas de tensão tão ativas quanto os
corpos materiais. É nesses vazios que a miragem emerge, onde objeto e espaço deixam de ser instâncias
separadas e passam a operar como um mesmo campo sensível. A instalação se constrói nessa relação delicada
entre presença e ausência, peso e suspensão, onde a matéria se transforma em ilusão. É nesse espaço entre
uma matéria e outra, sempre em negociação, que emerge a experiência sensorial proposta por Tuca.

Direção Artística e Produção
Renato Canivello
Uri Nonnato

Curadoria e Texto 
Danniel Tostes