Inauguração da Galeria REFRESCO, Exposição Coletiva
Alexandre Nitzsche Cysne
Dani Cavalier
Edu de Barros
Eduardo Baltazar
Fabio Severino
Gpeto
Iah Bahia
Medusa
Nathalie Ventura
Rafael D’Aló
Sandra Lapage
Siwaju
Ygor Landarin
Bronze Noturno aquece o centro da cidade, onde um novo espaço físico da Refresco é
inaugurado, agora na Rua do Rosário, fruto de uma iniciativa governamental de apoio à
cultura. Bronze Noturno é inspirado pelo deslocamento e pela mudança, estimulando a
galeria a pensar uma exposição capaz de se colocar em um diálogo mais situado com
a experiência da cidade. Contudo, essa seleção de trabalhos estabelece uma conversa
ao mesmo tempo em que toma uma posição, buscando refletir sobre o Rio de Janeiro
não a partir de suas paisagens mais estabelecidas e icônicas, mas através de algum
sulco que se pode produzir nelas. Bronze Noturno se trata de uma tentativa de criar
uma cartografia com imagens e formas a partir do que oxigena a cidade: suas ruas,
encruzilhadas, fluxos, contrafluxos, encontros, afetos – tudo isso mediado pela relação
com o céu.
Bronze Noturno é calor residual na pele, experiência sensível para além da fruição visual
ou retiniana. Aqui a pele aparece enquanto órgão limiar e fronteiriço, o toque como vetor
de comunicação e transmissão. O dia cai para que a noite se instale, no centro do rio a
madrugada vira dia novamente, a luz crepuscular traz o ardor da superfície a envolver o
corpo, ciclicamente. Essa cidade e sua iconografia são o espaço que habitamos e que,
ao mesmo tempo, nos constitui. O sol já não aparece no céu, mas sentimos sua presença
a todo momento através do bronze.
A exposição cria uma demarcação cromática através dos trabalhos, que se inicia nas
cores quentes de um dia ensolarado, até os tons crepusculares e os noturnos. Aqui
interessa desde o céu da noite a banhar os cantos do centro da cidade, os primeiros
raios de luz de uma madrugada virada no carnaval, até uma praia na glória ao cair
da tarde. É como se a presença do sol pudesse ser sentida mesmo através de sua
ausência, e o par dicotômico também ressoa nos trabalhos apresentados. Junto a essa
atmosfera, as obras fazem alusão a diferentes energias que permeiam a referida zona
da cidade, marcada pelo comércio e alto fluxo nos dias de semana, e certos ritmos de
vacuidade no fim do horário comercial e durante os fins de semana.
Bronze Noturno reúne investidas em pintura e escultura, através da produção de
artistas brasileiros que têm tentado expandir os limites dessas materialidades. Nessa
seleção, Edu de Barros e Eduardo Baltazar usam o óleo sobre tela em composições
que transmitem cenas ligadas à lua e ao ritual, enquanto Fabio Severino cria pinturas
abstratas que remetem a restos coloridos do nascer do dia. Medusa apresenta um grid
de pinturas de pequeno formato que trazem algo de citadino e cotidiano.
O brilho reluzente no trabalho de Sandra Lapage, feito de material de descarte reciclado,
cria contraste com o brilho soturno e fosco de Alexandre Nitzsche, também criado
a partir de materiais coletados. Gpeto e Ygor Landarim criam, através de distintos
processos que envolvem resina, formas híbridas que distorcem uma categoria do
invólucro corporal demasiadamente humano. Siwaju e Iahra Bahia, dentro desse
contexto, apresentam obras feitas de ferro oxidado e concreto, respectivamente. Sendo
a segunda uma fusão com outros materiais. Em ambos os casos podemos pensar uma
relação com o chão e os vetores cartográficos das ruas e suas rotas.
A lycra tensionada de Dani Cavalier apresenta padrões em movimento que nos levam
de volta às aparições de cores diante das primeiras horas do sol, enquanto Nathalie
Ventura assenta os elementos que compõem o centro da cidade em sua concretude,
deslocando-os para o contexto da exposição. Rafael D’Aló se utiliza de materiais urbanos
encontrados, que aqui se transformam em novos arranjos e composições, emprestando
um simulacro de sol à coletiva. Como dito inicialmente, Bronze Noturno é uma tentativa
de compor com as fissuras de imagens já consagradas, como se pudéssemos cultivar
a cidade a partir de perspectivas menos espetaculares, garantidas ou certeiras. Aqui
tentamos abrir o gradiente de cor a partir do céu, respirar os diferentes ares com o corpo
inteiro e pensar modos de habitar o coração do Rio reconhecendo conflitos, dicotomias,
possibilidades, ensejos
Direção Artística
Deborah Zapata
Renato Canivello
Produção e Curadoria
Deborah Zapata
Renato Canivello
Expografia
Uri Nonnato
Texto
Daniela Avellar
Fotografia
Rafael Salim












