Superaquecidas – Sofia Caesar, 2022 / Galeria Cavalo

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Instalação de vídeo em quatro canais com som. Com quatro telas de vídeo, ventiladores, cabos e banquinhos tortos. Dimensões variáveis. Realizada em colaboração com Andrea Capella, Varinia Canto Vila, Laura Samy, Lara Negalara, Nyandra Fernandes e Michelle Chevrand.


Superaquecimentos (Overheatings, 2022) é uma instalação de Sofia Caesar, composta por um cabo ramificado, onze banquinhos tortos e quatro telas. A prática de Caesar, focada nos efeitos da exaustão sobre o corpo, frequentemente utiliza terapias somáticas e a dança para produzir imagens em movimento. Nesta nova série, a artista experimenta remover sua presença dos vídeos. Essa abordagem permite que ela trabalhe de forma mais livre com ‘proposições’ (como formuladas inicialmente pelo teatro radical brasileiro e por artistas como Hélio Oiticica (1937–1980) e Lygia Clark (1920–1988), nos anos 1960).

Com as performers, Caesar imaginou cenários da vida cotidiana de trabalho afetados pela exaustão, a fim de criar coreografias improvisadas. Entre esses cenários estava: “criar um gesto alternativo a ser realizado quando o computador superaquece e não pode mais ser usado para trabalhar”. Por meio do uso de proposições, Caesar explora a filmagem como um momento performativo de cocriação. Em vez de uma direção impositiva, ela entende seu método como a criação consciente de gatilhos para uma articulação, para um tipo de coreografia a ser desenvolvida entre ela, as performers, a câmera e o laptop.

Assim, o trabalho questiona a precariedade da relação entre os corpos e a própria tecnologia. “Nossos computadores foram feitos para funcionar bem nas condições climáticas do Vale do Silício”, diz ela, “e, na verdade, o que está sendo universalizado como um novo modelo de trabalho é algo muito localizado.” Um conjunto de banquinhos inclinados introduz o corpo disciplinado como um elemento não neutro nesse todo, convidando o público a desaprender modos e posturas enquanto assiste às quatro mulheres habitarem seus dias de trabalho nos vídeos. Telas e cabos se multiplicam no espaço ficcional dos vídeos, estendendo sua presença para o espaço expositivo.”

Produção

Renato Canivello

Texto

Victor Gorgulho